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Quando fazemos uma
avaliação mercadológica, esperamos estar estudando a lógica do
mercado, mas o mercado não tem lógica.
O mercado tem vida própria e
movimenta-se conforme sua necessidade, aspectos conjunturais e
fenômenos históricos, onde concluímos que apenas a matemática é
lógica. Para entendermos o mercado é preciso voltar ao passado e ver
a história. Se quiser prever o futuro, olhe para trás. Assim, é
possível enxergar porque o Brasil não é ainda hoje uma super
potência como os Estados Unidos, já que temos suficientes recursos
para tal.
Para entender melhor, devemos fazer uma relação do
desenvolvimento da sociedade brasileira e as sociedades americana,
japonesa, européia, e por conseqüência estaremos vendo a evolução do
marketing.
Nos Estados Unidos, a
religião teve forte influência.
O protestantismo e os princípios
igualitários inspiraram a formação de uma sociedade focada em
acumulação de riquezas e a igualdade entre todos os cidadãos.
Nota-se claramente na constituição americana os princípios da ética
protestante, os ideais de individualismo e mercados livres, dando
origem ao capitalismo selvagem.
A colonização americana também
traduz a visão de longo prazo, o domínio da terra sob a ótica
produtiva e não extrativista, proporcionando ambiente para a
industrialização, e suas estratégias de retorno financeiro
mais consistente e duradouro.
Analisando a sociedade
japonesa, uma cultura milenar que passou por vários períodos da
história, durante o processo de desenvolvimento do regime feudal,
onde os japoneses organizavam-se conforme a visão confuciana de
produtividade. Não há um rompimento de raízes, e sim uma seqüência
lenta de regimes piramidais.
Na ponta, encontravam-se os nobres e os
guerreiros, abaixo deles, os agricultores e artesãos, e na base os
comerciantes, tidos como improdutivos. Na cultura dessa sociedade,
os comerciantes sentiam-se muito honrados em servir aos cidadãos dos
níveis superiores (clientes). Esse relacionamento nota-se não só
entre os comerciantes, mas expande-se através de toda cadeia
produtiva até nossos tempos.
Quando falamos em honra, outro aspecto
forte da cultura japonesa, há uma perseguição na perfeição,
competência, respeito e honestidade. Assim, vemos que os japoneses
já praticavam todo o conceito de marketing sem estudos
aprofundados, visto que já fazia parte de sua cultura.
Na Europa, dado aos
permanentes estados de guerra por disputa de terras e poder, formam
uma cultura baseada em regras constantes na sociedade.
Os núcleos
comerciais tendiam a ser muito grandes e populosos e com recursos
limitados, gerando a necessidade de atender a demanda através
do incentivo a produção em massa, procura de novos mercados,
colonizações, e ao desenvolvimento de novos produtos. A
pesquisa e desenvolvimento eram muito incentivados pelos nobres, até
mesmo pelo atendimento aos seus interesses pessoais de acumulação de
riquezas.
No Brasil, nosso
desenvolvimento comercial inexiste no modelo Brasil colônia que
deixou seqüelas até hoje. Analisando a história, começamos a
entender porque o brasileiro dá tanto valor a produtos importados. “O
comerciante era um privilegiado, a quem el-rei outorgava, direta ou
indiretamente, o direito de explorar uma dada atividade ou produto.
Pelo fato de ser proibida qualquer manufatura na colônia, e de o
comércio se realizar exclusivamente através de Portugal, a oferta de
produtos e serviços foi, durante todo o período colonial, escassa,
fazendo com que o vendedor, e não o comprador fosse, na realidade, o
rei”.
Jamais houve qualquer
incentivo à produção, pesquisa e desenvolvimento. Portugal exigia
extrema dependência da corte. A religião católica também preconizava
a pobreza como salvação, e até mesmo nossos índios entregavam suas
riquezas por meros presentes - eram exatamente os opostos dos índios
americanos.
Ainda hoje observamos um
Estado interventor na economia, responsável pelos maiores impostos e
altas taxas cobradas pelos serviços públicos e pelas altas taxas de
juros, demonstrando ser um mau administrador do dinheiro público, o
que culmina nas políticas de preços e faz com que o custo Brasil
seja um empecilho para atrativos de investidores externos.
Notamos que apenas após a abertura econômica ocorrida recentemente,
e a forte influência das multinacionais americanas no Brasil é que
começamos a prática dos conceitos de marketing nas grandes empresas
nacionais, seguido pelas micro, pequenas e médias empresas por
questões de sobrevivência. Estamos atrasados, porém no rumo certo e
a velocidade é ideal.
O brasileiro é dono de uma criatividade imensa
e logo estaremos sobrepondo algumas superpotências já que o Brasil
será o único a dispor de inúmeros recursos já esgotados em outros
países. |